Família
Lentz ou Lenz
Paisagem típica de Eifel
É com alegria que compartilho a pesquisa de Werner Johannes Lichter sobre a Família Lenz.
Com esta pesquisa unimos os esforços de genealogistas brasileiros e alemães em conhecer nossos antepassados.
Agora temos uma visão mais ampla!
A Família Lenz: Da Eifel Alemã à Fundação de São Pedro de Alcântara (1643–1875)
Uma contribuição genealógica para o bicentenário de 2029 de Werner Johannes Lichter
A história da imigração alemã em Santa Catarina é marcada por trajetórias familiares que atravessam séculos, oceanos e transformações profundas. Entre essas famílias está a família Lenz, cuja origem remonta ao século XVII na cidade de Muenstermaifeld, região do Maifeld, na Eifel Oriental, Alemanha. Graças a uma pesquisa genealógica detalhada, foi possível reconstruir essa linhagem desde 1643 até a chegada ao Brasil em 1828, quando o imigrante Sebastian Lenz desembarcou no Rio de Janeiro e seguiu para o sul do país.
Origens na Alemanha (1643–1800)
Os primeiros antepassados documentados pertenciam ao meio urbano artesanal de Münstermaifeld. A família aparece nos registros como:
Entre os nomes mais antigos estão:
Johann Philipp Lentz (1643–1685), sapateiro
Johann Lentz (1676–1738), casado na Burg Eltz
Johann Lentz (1699–1770)
Nicolaus Lentz (1730–1780)
Sebastian Lentz (1764–1840), alfaiate
Essa sucessão de gerações mostra uma família estável, integrada à sociedade local e com forte tradição artesanal.
A travessia de 1828 e a chegada ao Brasil
O descendente Sebastian Lenz, nascido em 1798, embarcou em Bremen em maio de 1828. Chegou ao Brasil como parte do contingente de imigrantes que o Império buscava para fortalecer a colonização no sul.
Casou em 26 de novembro de 1828, em Desterro (Florianópolis), com Maria Anna Brand, natural de Großlittgen, também na região da Eifel. O casal seguiu para São Pedro de Alcântara, onde participou da fase inicial da colônia, e posteriormente se estabeleceu em Praia Comprida (São José).
Os pioneiros de São Pedro de Alcântara
A fundação de São Pedro de Alcântara, em 1º de março de 1829, marcou o início da colonização alemã em Santa Catarina. Os primeiros imigrantes enfrentaram:
Mesmo assim, famílias como Lenz, Brand, Petry, Scherer, Zimmermann, Bornhausen e tantas outras lançaram as bases do desenvolvimento da região.
Rumo ao bicentenário de 2029
Em 2029, São Pedro de Alcântara celebrará 200 anos de fundação. A reconstrução genealógica da família Lenz — desde suas raízes na Alemanha até sua presença em Santa Catarina — representa uma contribuição valiosa para esse momento histórico.
Ela evidencia:
a continuidade cultural entre Europa e Brasil,
o papel dos imigrantes na formação da identidade catarinense,
e a importância da preservação da memória familiar.
Sobre o autor da pesquisa e do texto.
A pesquisa genealógica apresentada aqui foi realizada por Werner Johannes Lichter, genealogista de Klausen, Renânia‑Palatinado (Alemanha). Seu interesse pela história catarinense surgiu por motivos familiares, já que sua esposa é descendente de imigrantes alemães da região de São José. O trabalho foi desenvolvido de forma totalmente independente, sem qualquer finalidade comercial, com base em fontes primárias alemãs e brasileiras.
A FAMÍLIA LENTZ EM SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA E SÃO JOSÉ
POR MARIA JOSÉ CARVALHO DE SOUZA
As primeiras famílias que migraram para São Pedro de
Alcântara eram de agricultores, vindos da Renânia meridional, região chamada de
“Hunsrück”, atualmente Alemanha e de ex-soldados liberados do exército militar imperial. Motivados pelas dificuldades na terra natal e as promessas do governo
brasileiro à época, partiram do porto de Bremem,
Alemanha, com destino ao Rio de Janeiro, em 7 de junho de 1828, a bordo do navio
Charlotte & Louise .
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| Figura 1 - Localização da região de Hunsrück |
Uma dessas famílias era de Johann Jacob Brand (62) viúvo que veio junto com a filha Maria Anna Brand, (18) passageiros do Charlotte & Louise nrºs 204 e 205, segundo lista de passageiros da Biblioteca Nacional e Jochem. A outra filha Maria Angela Brand era esposa do Heinrich Bohrens que trouxe seus filhos.
Fonte: Fey, Ademar Felipe. Navio Charlotte & Louise - Ano 1828: Imigração Alemã no Brasil (p. 53). Edição do Kindle.
Durante a estadia no Rio de Janeiro, enquanto aguardava a vinda para Desterro, Maria Anna Brand conhece o soldado do batalhão de estrangeiros Sebastião Lenz (Lentz) , se enamoram e casam quando chegam em Desterro. Maria Anna e Sebastião Lenz viajam para São Pedro de Alcantara via Desterro no Brigue Marques Vianna. Fontes: BN, Jochem
Recepcionados pelas autoridades e
interpretes, foram alojados em quartéis da cidade, a maioria no quartel do Campo
do Manejo (atual Instituto de Educação). Enquanto esperavam os trâmites
burocráticos, muitos casamentos foram realizados; e foi neste período que
aconteceu o casamento de Maria Anna
Brandt com Sebastião Lenz
(Lentz) em 26 de novembro de 1828.
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| Figura 2 : Certidão de casamento de Maria Anna Brandt com Sebastian Lenz |
Sebastian Lenz veio para o Brasil a partir do porto de Bremem a bordo da galera Bremense Harmonie em 01/05/1828 e chega no porto do Rio de Janeiro depois de 62 dias de viagem, em 02/07/1828. (FEY, 2020). Sua vinda tinha como objetivo servir como soldado no 3 Batalhão de Granadeiros do exército imperial brasileiro constituido por D Pedro I. (FEY, 2020 e LEMOS, 1996).
Conforme observado por Philippi (1995), o sobrenome Lenz pode ser encontrado como Lentz, Lens, Leins e Lins.
Considera-se o dia 01 de março de
1829 como a data da criação da Colônia São Pedro de Alcântara, já que os
primeiros alemães entraram na colônia e começaram a edificar os primeiros barracões,
visto que a burocracia ainda estava sendo resolvida pelas autoridades locais.
Somente a partir de 9 de julho,
conforme Philippi (1995), iniciaram-se as entregas dos lotes de terra, com a
profundidade de cerca de 800 braças, aos que haviam conseguido chegar à Colônia
antes dos demais.
Dentre os primeiros treze lotes
localizados no lado norte da estrada das tropas para Lajes, encontra-se o nome do cunhado da Maria Anna Lenz, Heinrich Bohnen.
"3-Henrich Bohenen, casado e seis filhos, 75 braças, pósse em 09-07-829" (PHILIPPI, 1995) . Ver lista completa acessar os livros indicados nas referencias.
Conforme os dados da listagem e
do Censo da Colônia de 1830, apenas a família de Maria Angela
Bohnen permaneceu
em São Pedro, pois, conforme relato de Philippi(1995), parte dos imigrantes
alemães ficaram na Praia Comprida, São José da Terra Firme, onde estabeleceram-se com hospedarias,
transporte de lanchas (responsável pela conexão do continente com a Ilha),
ferrarias, sapatarias, marcenarias, casas de comércio e outras atividades,
inclusive a agricultura.
“Foi o primeiro ponto de
ligação, o primeiro entreposto da Colônia. Entre estas famíias estavam as de
Adam Michels, Heinrich Bohnen, Sebastian
Lenz, Anton Hurber, Johann Mannebach, Peter Joseph Schneider e Jakob
Zimmermann.” (1995, p. 47).
Na Praia Comprida a família de Sebastian Lenz encontrou
condições de prosperar e deixou seu legado.
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Figura 4 - Relação dos colonos em São Pedro de Alcântara censo de 1830.
Fonte:MATTOS, Jacinto Antonio. Colonisação do Estado de Santa Catarina. Florianópolis, 1917. |
SEBASTIAN LENZ (1808-1875), filho de Sebastian Lenz
e Katharina Born. Casou em 26 de
novembro de 1828 com Maria Anna Brandt
(1810-1890), filha de Johann Brandt e Katharina Elisabehta Mayer. Pais de:
·
TEODORO.
·
LUÍSA.
·
CHRISTINA.
Nasceu em 02/09/1834. Casou com Joaquim
Maximiniano dos Santos
·
ANDRÉ.
·
MARIA.
·
CATARINA.
·
MARIA.
·
JOÃO.
·
ANTÔNIO SEBASTIÃO.
·
JOAQUIM SEBASTIÃO.
·
JOSÉ SEBASTIÃO.
JOAQUIM MAXIMINIANO
DOS SANTOS (1830?-1906), filho de Maximiano José dos Santos e de Maria
Joaquina dos Santos. Comerciante e negociante na Praia Comprida, São José.
Militar e político em São José. Casou com Christina
Maria Lentz.
Pais de :
·
MANUEL.
·
JOAQUIM
·
AMÉLIA
EMÍLIA. Casou com Francisco Vieira
da Rosa.
·
ADELAIDE.
·
MAXIMIANO HONORATO.
·
MARIA MERCES.
·
EMÍLIA.
·
EMÍLIA.
·
CECÍLIA.
·
CRISTINA DORVALINA.
·
JOAQUINA.
·
JOSEFINA.
·
HORÁCIO.
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| Figura 5 – Certidão de casamento de Joaquim Maximiniano dos Santos e Christina Lenz |
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| Figura 6 - Ascendentes de Mário Vieira da Rosa completo |
FRANCISCO VIEIRA DA ROSA (1955-1925) casou com Amélia Emília
dos Santos (1858-1944).
REFERENCIAS:
FEY, Ademar. Imigração Alemã no Brasil: Navios e Passageiros Anos 1828 a 183. Caxias do Sul: Ademar Felipe Fey, 2020.
JOCHEM, Toni. Visibilidade étnica dos imigrantes do Hunsbrück em Santa Catarina. http://www.aguasmornas.sc.gov.br/imigracao/Palestra-ChileToni.pdf Acessado em 18/09/2016
LEMOS, Juvêncio Saldanha. Os mercenários do Imperador: a primeira corrente imigratória no Brasil (1824-1830). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1996.
MACHADO, Osni Antonio. Dicionário Político Josefense. São José: Ed. do Autor, 2006.
MATTOS, Jacintho Antonio. Colonisação do Estado de Santa Catarina: dados históricos e estatísticos (1640-1916). Florianópolis: Gab. Typ. "O dia", 1917.
PHILIPPI, Aderval João. São Pedro de Alcântara: a primeira colônia alemã de Santa Catarina. Florianópólis: Ed. do autor, 1995.
SCHMITT, Elzeário. A primeira comunidade alemã em Santa Catarina. Florianópolis: IOESC, 1979.